Para calcular o GRIS do frete, multiplique o valor da mercadoria informado na nota fiscal pelo percentual de GRIS combinado com a transportadora e compare o resultado com o GRIS mínimo da tabela. Vale o maior dos dois. A fórmula é GRIS = valor da NF × percentual de GRIS, respeitando o valor mínimo. Na prática, se a carga vale R$ 50.000,00 e o percentual é de 0,30%, o GRIS fica em R$ 150,00. Esse valor entra na composição do frete junto com o frete-peso, o ad valorem, o pedágio e as taxas adicionais, e em geral também faz parte da base de cálculo do ICMS.
Parece simples, e a conta é mesmo. O que costuma dar problema é saber qual valor usar, quando o mínimo se aplica, como o GRIS se diferencia do seguro e por que ele muda tanto de uma transportadora para outra. A seguir, cada ponto em detalhe.
O que é o GRIS no frete
GRIS é a sigla de Gerenciamento de Risco. É uma taxa cobrada pela transportadora para cobrir os custos que ela tem para proteger a carga contra roubo, furto e desvio durante o transporte. Esses custos aparecem em várias frentes:
- rastreamento e monitoramento dos veículos por central própria ou terceirizada;
- escolta armada ou velada em rotas e cargas de maior risco;
- consulta e cadastro de motoristas em empresas de gerenciamento de risco;
- iscas eletrônicas, travas, sensores de porta e bloqueadores;
- exigências do plano de gerenciamento de risco (PGR) definido pela seguradora.
Como esse esforço aumenta conforme o valor da carga (uma carga mais cara atrai mais criminosos e exige mais proteção), o GRIS é calculado como percentual sobre o valor da mercadoria, não sobre o peso.

Fórmula: como calcular GRIS no frete
A estrutura básica é a mesma em praticamente todas as tabelas do mercado:
- Pegue o valor total da mercadoria na nota fiscal (ou a soma das notas que compõem o embarque).
- Confira o percentual de GRIS na tabela ou proposta comercial da transportadora.
- Multiplique o valor da mercadoria pelo percentual (lembrando de converter: 0,30% = 0,003).
- Compare com o GRIS mínimo. Se o resultado for menor que o mínimo, cobra-se o mínimo.
- Some ao restante do frete (frete-peso, ad valorem, pedágio, taxas) para chegar ao valor antes dos impostos.
Cálculo do GRIS em 5 passos
1. Valor da NF
Some o valor das mercadorias do embarque.
2. Percentual
Veja a taxa de GRIS na tabela da transportadora.
3. Multiplique
Valor da NF × percentual (0,30% = 0,003).
4. Mínimo
Se o resultado ficar abaixo do mínimo, vale o mínimo.
5. Componha
Some ao frete-peso, ad valorem, pedágio e taxas.
Fórmula: GRIS = maior valor entre (valor da NF × % GRIS) e GRIS mínimo
Exemplo prático de cálculo do GRIS
Os números abaixo são ilustrativos, apenas para mostrar a mecânica da conta. Percentuais e mínimos reais variam por transportadora, tipo de mercadoria, origem, destino e negociação.
Cenário 1: carga de valor alto
- Valor da nota fiscal: R$ 50.000,00
- GRIS: 0,30%
- GRIS mínimo: R$ 15,00
Conta: 50.000 × 0,003 = R$ 150,00. Como é maior que o mínimo de R$ 15,00, o GRIS cobrado é R$ 150,00.
Cenário 2: carga de valor baixo
- Valor da nota fiscal: R$ 2.000,00
- GRIS: 0,30%
- GRIS mínimo: R$ 15,00
Conta: 2.000 × 0,003 = R$ 6,00. Como fica abaixo do mínimo, o GRIS cobrado é R$ 15,00. É por isso que, em remessas pequenas, o GRIS parece proporcionalmente alto: quem pesa é o mínimo, não o percentual.
Cenário 3: GRIS dentro da composição completa
Imagine o mesmo embarque do cenário 1 com os demais componentes (valores hipotéticos):
| Componente | Base de cálculo | Valor |
|---|---|---|
| Frete-peso | Peso cubado × tarifa da faixa | R$ 600,00 |
| Ad valorem (0,30%) | Valor da NF | R$ 150,00 |
| GRIS (0,30%) | Valor da NF | R$ 150,00 |
| Pedágio | Frações de peso ou eixo, conforme tabela | R$ 40,00 |
| Taxas adicionais | Conforme serviço (TDE, TAS etc.) | R$ 60,00 |
| Total antes do ICMS | R$ 1.000,00 |
Quando o ICMS é calculado “por dentro”, o imposto integra a própria base. A conta costuma ser: total antes do imposto ÷ (1 − alíquota). Com uma alíquota hipotética de 12%, seria 1.000 ÷ 0,88 = R$ 1.136,36 de frete total, dos quais R$ 136,36 são ICMS. A alíquota correta depende dos estados de origem e destino, do regime tributário da transportadora e de eventuais benefícios. Para fechar esse ponto com segurança, confirme com o contador ou com a legislação do estado.
Diferença entre GRIS e ad valorem
Muita gente confunde as duas taxas porque ambas são percentuais sobre o valor da nota fiscal. Mas elas pagam coisas diferentes:
| Aspecto | GRIS | Ad valorem (frete-valor) |
|---|---|---|
| O que cobre | Custos de prevenção: rastreamento, escolta, monitoramento, consultas de motorista | Custos de seguro e da responsabilidade da transportadora sobre a carga |
| Natureza | Prevenção do sinistro | Indenização caso o sinistro ocorra |
| Base de cálculo | Valor da mercadoria | Valor da mercadoria |
| Valor mínimo | Comum nas tabelas | Comum nas tabelas |
| Variação | Rota, tipo de produto, índice de roubo na região | Tipo de produto, condições da apólice, histórico de sinistros |
Resumindo: o ad valorem paga o seguro; o GRIS paga o trabalho para que o seguro não precise ser acionado. Uma não substitui a outra, e as duas podem aparecer juntas no mesmo CT-e.
O que faz o percentual de GRIS variar
Não existe um percentual único definido em lei. Cada transportadora monta sua tabela a partir do próprio custo de gerenciamento de risco e das exigências da seguradora. Os fatores que mais pesam são:
- Tipo de mercadoria: eletrônicos, medicamentos, cigarros, autopeças, bebidas e alimentos de alto giro costumam ter GRIS mais alto por serem alvos frequentes.
- Origem e destino: regiões e corredores com mais ocorrências de roubo exigem mais proteção.
- Valor por veículo: acima de certas faixas, a seguradora pode exigir escolta ou mais de um rastreador, o que eleva o custo.
- Modalidade do transporte: carga fracionada e lotação têm estruturas de custo diferentes.
- Volume e relacionamento comercial: embarcadores com volume constante e bom histórico costumam negociar percentuais menores.
Entidades do setor, como a NTC&Logística, publicam referências de custos e metodologias de formação de frete que ajudam a entender essas taxas. Elas servem como parâmetro, mas o valor que vale para o seu embarque é sempre o que está na proposta comercial assinada.

Erros comuns no cálculo do GRIS
Usar o valor errado da mercadoria
A base é o valor das mercadorias da nota fiscal. Em embarques com várias notas, some todas. Incluir o valor do próprio frete ou de impostos que não compõem a mercadoria distorce a conta.
Esquecer o GRIS mínimo
Quem faz cotação de remessas pequenas e aplica só o percentual chega a um valor bem abaixo do real. Sempre verifique o mínimo na tabela.
Errar a conversão do percentual
0,30% equivale a 0,003, e não a 0,03. Esse deslize multiplica o GRIS por dez e aparece com frequência em planilhas montadas às pressas.
Somar GRIS e ad valorem como se fossem a mesma taxa
Ao comparar propostas, separe os dois componentes. Uma transportadora pode ter ad valorem baixo e GRIS alto, e vice-versa. O que importa é o custo total do frete com o nível de proteção adequado.
Não conferir o CT-e
O CT-e traz os componentes do valor da prestação. Confira se o GRIS cobrado bate com a tabela negociada e com o valor da nota fiscal do embarque. Divergências pequenas, repetidas em centenas de fretes por mês, viram dinheiro relevante.
Dicas para pagar menos GRIS sem perder segurança
- Negocie com base em volume: embarques regulares e previsíveis permitem à transportadora diluir o custo de monitoramento.
- Consolide remessas pequenas: juntar pedidos evita pagar o GRIS mínimo várias vezes.
- Compare o pacote completo: frete-peso, ad valorem, GRIS e taxas, nunca uma linha isolada.
- Informe corretamente o tipo de produto: omitir a natureza da carga para conseguir taxa menor pode gerar problemas sérios em caso de sinistro, inclusive negativa de indenização.
- Avalie seu próprio seguro e PGR: alguns embarcadores com apólice e gerenciamento de risco próprios negociam condições diferentes. As regras de seguro no transporte rodoviário de cargas passaram por mudanças legais recentes, então confirme com um corretor de seguros especializado o que é obrigatório para a transportadora e o que cabe ao embarcador.
- Revise as tabelas periodicamente: custos de gerenciamento de risco mudam com o cenário de segurança das rotas.
Como montar o cálculo em planilha
Para quem cota fretes com frequência, uma planilha simples resolve. Considere as colunas: valor da NF (coluna A), percentual de GRIS (coluna B, em formato de porcentagem) e GRIS mínimo (coluna C). Na coluna do GRIS final, use uma fórmula que retorne o maior valor entre o cálculo e o mínimo, algo como =MÁXIMO(A2*B2;C2). Se a célula B estiver formatada como porcentagem, basta digitar 0,30% que a planilha já faz a conversão.
Repita a mesma lógica para o ad valorem e some com frete-peso, pedágio e taxas. Depois aplique o ICMS conforme a regra da operação. Assim você consegue comparar propostas de transportadoras diferentes lado a lado, com os mesmos critérios.
Perguntas frequentes sobre o GRIS no frete
O GRIS é obrigatório?
Não há uma lei que obrigue a cobrança do GRIS como taxa específica. Ele é um componente comercial do frete, previsto na tabela da transportadora e aceito pelo embarcador na negociação. O que existe são exigências de seguro e de gerenciamento de risco que geram o custo repassado por essa taxa.
Qual é a base de cálculo do GRIS?
O valor das mercadorias informado na nota fiscal (ou a soma das notas do embarque). Sobre ele se aplica o percentual negociado, respeitando o GRIS mínimo.
GRIS e seguro são a mesma coisa?
Não. O seguro, geralmente cobrado como ad valorem, cobre a indenização se a carga for perdida ou danificada. O GRIS cobre as medidas de prevenção, como rastreamento, monitoramento e escolta.
O GRIS entra na base do ICMS do frete?
Em regra, o ICMS incide sobre o valor total da prestação do serviço de transporte, o que inclui seus componentes, como o GRIS. Regras específicas variam por estado e regime tributário, então confirme com seu contador.
Por que o GRIS da minha remessa pequena ficou tão alto?
Provavelmente o cálculo percentual ficou abaixo do GRIS mínimo e a transportadora cobrou o mínimo. Consolidar remessas costuma reduzir esse impacto.
Posso negociar o percentual de GRIS?
Sim. Volume, regularidade, tipo de carga, rotas e histórico sem sinistros são argumentos usados nas negociações. Também vale comparar propostas observando o custo total do frete, não só o GRIS.
No dia a dia, calcular o GRIS do frete é só aplicar um percentual sobre a nota e lembrar do mínimo. Quem sabe exatamente o que essa taxa cobre e onde ela aparece no CT-e consegue negociar melhor, comparar propostas com critério e evitar cobranças indevidas.
Conteúdo informativo. Regras e valores podem mudar; confira sempre a norma vigente no órgão responsável, como ANTT, Contran e Receita Federal.



