Quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Frete e Custos

Como calcular o frete de uma carga rodoviária: passo a passo

Veja como calcular o frete rodoviário somando custos fixos, variáveis e margem, com exemplo prático e como conferir o piso mínimo da ANTT.

Como calcular o frete de uma carga rodoviária: passo a passo
Neste conteúdo
  1. Quais custos entram no cálculo do frete
  2. Como é dividido o preço cobrado do cliente
  3. Passo a passo para calcular o frete
  4. Exemplo prático de cálculo
  5. Como conferir se o valor respeita o piso mínimo da ANTT
  6. Erros comuns no cálculo do frete
  7. Perguntas frequentes

Para calcular o frete de uma carga rodoviária, some todos os custos da viagem (combustível, manutenção, pneus, motorista, seguro, impostos e despesas administrativas), acrescente a margem de lucro e compare o resultado com o piso mínimo da ANTT. Se a operação for de carga lotação, o valor contratado não pode ficar abaixo desse piso.

Na prática, o preço cobrado do cliente costuma ser dividido em partes: frete-peso, frete-valor, taxas de risco e adicionais. Entender cada uma ajuda o transportador a não rodar no prejuízo e o embarcador a comparar orçamentos de forma justa.

Quais custos entram no cálculo do frete

Todo cálculo sério começa separando os custos em dois grupos. Os variáveis crescem conforme o caminhão roda. Os fixos existem mesmo com o veículo parado no pátio.

Custos variáveis (dependem da quilometragem)

  • Diesel: o maior gasto da viagem na maioria das operações.
  • ARLA 32: obrigatório em caminhões com sistema de pós-tratamento de gases.
  • Pneus: calcule o desgaste por quilômetro, incluindo recapagens.
  • Manutenção e lubrificantes: troca de óleo, filtros, freios, suspensão.
  • Lavagem e pequenos reparos feitos na estrada.

Custos fixos (existem todo mês)

  • Parcela do financiamento ou depreciação do caminhão e do implemento.
  • Salário e encargos do motorista ou, no caso do autônomo, a retirada mensal que ele precisa ter.
  • IPVA, licenciamento e seguro do veículo.
  • Seguros de carga e rastreamento.
  • Contador, telefone, sistema de emissão de documentos e outras despesas administrativas.

Para transformar o custo fixo em valor por viagem, divida o total mensal pela quilometragem média rodada no mês. O resultado é o custo fixo por quilômetro.

Como é dividido o preço cobrado do cliente

Transportadoras costumam apresentar o frete em componentes. Os nomes variam, mas a lógica é parecida em todo o país.

Componente O que remunera Como costuma ser calculado
Frete-peso O transporte em si Por quilo, tonelada ou viagem, conforme distância e peso (ou peso cubado)
Frete-valor (ad valorem) Risco ligado ao valor da mercadoria Percentual sobre o valor da nota fiscal
GRIS Gerenciamento de risco, como rastreamento e escolta Percentual sobre o valor da nota, comum em cargas visadas por roubo
Pedágio Uso das rodovias com praças de cobrança Por eixo e por praça; na contratação de terceiros, pago pelo embarcador via vale-pedágio, fora do frete
Taxas adicionais Entrega difícil, agendamento, espera, descarga Valor fixo ou por ocorrência
ICMS Imposto estadual sobre o serviço de transporte Alíquota sobre o valor da prestação, conforme origem e destino

Na carga fracionada, o frete-peso normalmente considera o maior valor entre o peso real e o peso cubado. Em cargas leves e volumosas, isso faz grande diferença no preço.

Passo a passo para calcular o frete

  1. Defina a rota e a distância total. Inclua o retorno se o caminhão voltar vazio, porque esse trecho também gera custo.
  2. Calcule o combustível. Distância total dividida pela média de quilômetros por litro, multiplicada pelo preço do diesel.
  3. Calcule os demais custos variáveis. Multiplique o custo por quilômetro de pneus e manutenção pela distância.
  4. Rateie os custos fixos. Custo fixo por quilômetro multiplicado pela distância, ou custo fixo diário multiplicado pelos dias da viagem.
  5. Some as despesas da viagem. Alimentação, pernoite, chapas para carga e descarga, estacionamento.
  6. Inclua seguro, gerenciamento de risco e impostos.
  7. Aplique a margem de lucro. Não existe percentual fixado em lei; ele depende do mercado e do risco da operação.
  8. Confira o piso mínimo da ANTT quando a operação for de carga lotação.

Exemplo prático de cálculo

Os valores abaixo são hipotéticos, apenas para mostrar a conta. Use sempre os números reais do seu caminhão e o preço do diesel da sua região.

Um caminhão truck vai levar uma carga a 600 km e voltará vazio, somando 1.200 km. A média é de 3 km por litro e o diesel custa R$ 6,50 o litro.

Item Conta Valor
Combustível 1.200 km ÷ 3 km/l = 400 l × R$ 6,50 R$ 2.600,00
Pneus e manutenção R$ 0,90/km × 1.200 km R$ 1.080,00
Custos fixos R$ 18.000/mês ÷ 9.000 km = R$ 2,00/km × 1.200 km R$ 2.400,00
Despesas da viagem Alimentação, pernoite e descarga R$ 400,00
Custo total R$ 6.480,00
Margem de 15% R$ 6.480,00 × 1,15 R$ 7.452,00

Sobre esse valor ainda incidem os tributos da prestação. O pedágio, quando a contratação é feita com terceiros, deve ser antecipado pelo embarcador por meio do vale-pedágio obrigatório e não entra no valor do frete.

Como conferir se o valor respeita o piso mínimo da ANTT

A Lei nº 13.703/2018 criou a política de pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas. O piso vale para a carga lotação e é calculado com dois coeficientes definidos pela ANTT: o custo de deslocamento (CCD), em reais por quilômetro, e o custo de carga e descarga (CC), em reais.

A fórmula é simples: piso = distância × CCD + CC. Na tabela que passou a valer em 30 de setembro de 2026 (Portaria SUROC nº 22/2026), uma carga geral em veículo de 3 eixos carregados, pela Tabela A, por 500 km, tem piso de 500 × R$ 5,2177 + R$ 541,86 = R$ 3.150,71.

Os coeficientes mudam ao longo do ano, então confira sempre a versão em vigor na calculadora oficial de piso mínimo da ANTT. Basta informar o tipo de carga, o número de eixos, a distância e o tipo de operação.

Erros comuns no cálculo do frete

  • Esquecer o retorno vazio. Quem não tem carga de volta precisa cobrar esse trecho na ida.
  • Ignorar o custo fixo. Calcular só diesel e pedágio dá a falsa impressão de lucro.
  • Embutir o pedágio no frete quando ele deveria vir separado pelo vale-pedágio.
  • Não cobrar tempo de espera para carregar e descarregar.
  • Usar só o peso real em cargas leves e volumosas, sem considerar a cubagem.
  • Aceitar valor abaixo do piso. Além do prejuízo, a contratação nessa condição é irregular.

Perguntas frequentes

O frete é cobrado por quilômetro ou por tonelada?

Depende da operação. Na carga lotação, é comum fechar um valor por viagem, calculado a partir do custo por quilômetro. Na carga fracionada, a cobrança costuma ser por peso (real ou cubado), somada a percentuais sobre o valor da mercadoria.

O pedágio entra no valor do frete?

Na contratação de transporte de terceiros, não. A Lei nº 10.209/2001 determina que o embarcador antecipe o vale-pedágio obrigatório e que esse valor não integre o frete.

Existe uma tabela oficial com o preço do frete?

Existe a tabela de pisos mínimos da ANTT, que define o menor valor permitido para a carga lotação. Ela não é um preço de mercado: o transportador pode e deve cobrar mais quando seus custos e a margem exigirem.

Quanto de margem de lucro devo colocar?

Não há percentual definido em lei. A margem depende da concorrência na rota, do risco da carga e da chance de conseguir frete de retorno. O importante é que ela seja aplicada depois de todos os custos estarem na conta.

Conteúdo informativo. Regras e valores podem mudar; confira sempre a norma vigente no órgão responsável, como ANTT, Contran e Receita Federal.

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é editor do LG Translog. Analista de SEO e produção de conteúdo, cuida da pauta, da apuração em fontes oficiais e da atualização dos guias sobre transporte de cargas e logística.

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