O café brasileiro percorre um caminho longo até o navio. Depois da colheita e da secagem, o grão vai da fazenda para armazéns de cooperativas ou exportadores, onde é beneficiado, classificado e misturado em ligas. Em seguida, é colocado em contêineres e levado de caminhão, principalmente, até o porto de embarque, com destaque para Santos (SP).
O Brasil é o maior exportador de café do mundo. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou 3,894 milhões de sacas de 60 kg em setembro de 2026, alta de 3,1% sobre setembro de 2025, com receita de US$ 1,282 bilhão.
Etapas da logística do café
| Etapa | Onde acontece | Transporte típico |
|---|---|---|
| Colheita e secagem | Fazenda (terreiros e secadores) | Tratores e carretas agrícolas |
| Beneficiamento | Fazenda ou cooperativa | Caminhão toco ou truck com sacas ou big bags |
| Armazenagem | Armazéns gerais, cooperativas, exportadoras | Truck, carreta graneleira ou sider |
| Rebeneficiamento e ligas | Armazéns de exportadores | Movimentação interna |
| Estufagem | Armazém do exportador ou terminal retroportuário | Contêiner sobre carreta porta-contêiner |
| Embarque | Porto | Navio porta-contêiner |
Da lavoura ao armazém
Depois de colhido, o café é seco em terreiros ou secadores até atingir a umidade certa. Em seguida, passa pelo beneficiamento, que retira a casca e deixa o grão cru, chamado de café verde. Esse é o produto que o Brasil mais exporta.
Nessa fase, o transporte é de curta distância, quase sempre por estradas rurais. O café sai em sacas de 60 kg ou em big bags, em caminhões toco, truck ou carretas. As principais regiões produtoras ficam em Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Rondônia e Paraná.
Cuidados no transporte do grão
- Cobrir a carga com lona limpa e em bom estado, para evitar chuva e sol direto.
- Não misturar café com adubo, defensivos ou cargas com cheiro forte, porque o grão absorve odores.
- Usar carroceria limpa e seca, sem restos de outras cargas.
- Evitar longas esperas com o caminhão carregado sob sol, que podem alterar a qualidade.
Armazém, classificação e ligas
Nos armazéns, o café é pesado, amostrado e classificado por tipo, peneira (tamanho do grão) e qualidade da bebida. Muitos lotes passam por rebeneficiamento, que retira impurezas e grãos defeituosos.
Os exportadores montam ligas, que são misturas de lotes com características definidas, para atender o pedido de cada comprador. Uma torrefadora na Europa, por exemplo, pode pedir um café de um tipo e peneira específicos, com perfil de bebida determinado.
Essa etapa concentra grande movimento de caminhões em polos como o Sul de Minas, o Cerrado Mineiro e a região de Vitória (ES).
Contêiner e estufagem
A maior parte do café verde exportado viaja em contêineres. O grão pode ir em sacas empilhadas dentro do contêiner ou a granel, dentro de um forro de material próprio (liner) que reveste o contêiner.
A estufagem, que é o carregamento do contêiner, pode ser feita no armazém do exportador, no interior, ou em terminais perto do porto. Antes, o contêiner é inspecionado: deve estar limpo, seco, sem furos e sem cheiro.
Um contêiner de 20 pés costuma levar algo próximo de 19 toneladas de café, o equivalente a cerca de 320 sacas de 60 kg. O peso exato depende do contrato e da forma de embalagem.
O transporte até o porto
O contêiner cheio segue em carreta porta-contêiner até o porto. O motorista precisa ter agendamento no terminal, porque os portos trabalham com janelas de entrega para organizar a fila de caminhões. Chegar fora do horário pode gerar espera longa ou recusa.
Portos e documentos de exportação
O Porto de Santos concentra a maior parte dos embarques de café do Brasil. Os portos do Rio de Janeiro e de Vitória também têm participação relevante. O Cecafé publica relatórios mensais com dados por porto e por destino.
Na parte documental, o exportador ou o despachante aduaneiro cuida de itens como:
- Nota fiscal de exportação.
- Declaração Única de Exportação (DU-E), registrada no Portal Único Siscomex.
- Certificado fitossanitário, quando exigido pelo país comprador, emitido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
- Certificado de origem e certificados de qualidade ou de sustentabilidade, conforme o contrato.
- Conhecimento de embarque (bill of lading), emitido pelo armador.
Compradores, principalmente na União Europeia, têm cobrado cada vez mais rastreabilidade, com informações sobre a fazenda de origem. Vale acompanhar as regras do país de destino com o exportador.
Oportunidades para o transportador
- Safra: a colheita do café vai, em geral, de maio a setembro na maior parte das regiões, e a demanda por frete cresce nesse período e nos meses seguintes.
- Frete fazenda-armazém: boa opção para caminhões menores e autônomos da região.
- Frete de contêiner: exige carreta porta-contêiner, agendamento em terminal e cumprimento de horários.
- Seguro e piso: confira se a carga está coberta pelos seguros obrigatórios e se o valor respeita o piso mínimo de frete da ANTT.
Perguntas frequentes
Por qual porto o Brasil mais exporta café?
Pelo Porto de Santos (SP), que concentra a maior parte dos embarques. Os portos do Rio de Janeiro e de Vitória também são importantes.
O café é exportado em sacas ou a granel?
Das duas formas. O grão pode ir em sacas de 60 kg ou a granel, dentro de um forro especial no contêiner. A escolha depende do contrato com o comprador.
Qual caminhão transporta café?
Da fazenda ao armazém, são comuns toco, truck e carretas graneleiras ou sider. Do armazém ao porto, o café vai em contêiner, sobre carreta porta-contêiner.
Onde ver dados oficiais de exportação de café?
Nos relatórios mensais do Cecafé, que trazem volumes, receitas, destinos e portos de embarque.
Conteúdo informativo. Regras e valores podem mudar; confira sempre a norma vigente no órgão responsável, como ANTT, Contran e Receita Federal.


