Quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Comércio Exterior

Como funciona a exportação no Brasil: etapas, documentos e Siscomex

Veja as etapas da exportação no Brasil: habilitação no Radar, nota fiscal, DU-E no Portal Único Siscomex, despacho aduaneiro, embarque e câmbio.

Pilhas de contêineres em um terminal de cargas à espera de embarque
Foto: Quintin Soloviev / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
Neste conteúdo
  1. Quem pode exportar e o que é preciso antes
  2. Etapas da exportação, do pedido ao embarque
  3. A DU-E e o despacho aduaneiro
  4. Documentos mais usados na exportação
  5. Tributos, câmbio e logística
  6. Erros comuns de quem exporta pela primeira vez
  7. Perguntas frequentes

Exportar a partir do Brasil envolve cinco blocos de tarefas: habilitar a empresa no Siscomex, fechar a venda com o comprador no exterior, emitir a nota fiscal de exportação, registrar a Declaração Única de Exportação (DU-E) no Portal Único Siscomex e acompanhar o despacho aduaneiro até o embarque. Em paralelo, a empresa organiza o transporte, o seguro e o recebimento em moeda estrangeira.

O processo parece complexo na primeira vez, mas segue uma ordem lógica. Muitas pequenas empresas começam com o apoio de um despachante aduaneiro, de uma comercial exportadora ou de programas de orientação, como os do Sebrae e da ApexBrasil.

Quem pode exportar e o que é preciso antes

Empresas de qualquer porte podem exportar, inclusive as optantes pelo Simples Nacional. Antes da primeira operação, é preciso:

  • CNPJ ativo, com atividade compatível com o produto.
  • Habilitação no Siscomex, conhecida como Radar, solicitada no Portal Único Siscomex pelo responsável legal, com certificado digital.
  • Classificação fiscal correta do produto na NCM, que define tratamento administrativo e estatística.
  • Verificação de exigências do produto: alguns itens precisam de licenças, permissões ou certificados de órgãos como Mapa, Anvisa, Ibama ou Exército, chamados no sistema de LPCO.

A habilitação tem submodalidades para pessoa jurídica, como expressa, limitada e ilimitada. Os limites de valor dessas submodalidades se aplicam às importações. As regras estão na Instrução Normativa RFB nº 1.984/2020 e podem ser consultadas na área de habilitação do portal do Siscomex.

Etapas da exportação, do pedido ao embarque

  1. Negociação: o exportador envia uma fatura pró-forma com preço, prazo, forma de pagamento e Incoterm.
  2. Confirmação do pedido e, quando for o caso, abertura de carta de crédito pelo comprador.
  3. Produção e embalagem adequadas ao transporte internacional, com marcação dos volumes.
  4. Contratação do transporte, direta com o transportador ou por meio de agente de cargas, e reserva de espaço no navio, avião ou caminhão.
  5. Emissão da nota fiscal de exportação e da fatura comercial.
  6. Registro da DU-E no Portal Único Siscomex, vinculada à nota fiscal.
  7. Entrega da carga no recinto alfandegado, como porto, aeroporto, porto seco ou ponto de fronteira.
  8. Despacho aduaneiro: análise de risco, parametrização e desembaraço.
  9. Embarque e emissão do conhecimento de transporte.
  10. Envio dos documentos ao comprador e recebimento do pagamento por meio de contrato de câmbio com banco autorizado.

A DU-E e o despacho aduaneiro

A Declaração Única de Exportação substituiu, a partir de 2017, os antigos registro e declaração de exportação. Ela reúne em um só documento as informações comerciais, aduaneiras, fiscais e logísticas da operação, aproveitando os dados da nota fiscal eletrônica.

Presença de carga

Depois de registrada a DU-E, a mercadoria é entregue no recinto alfandegado, e o depositário informa no sistema a presença da carga. Esse momento marca o início do procedimento fiscal. A partir dele, retificar ou cancelar a DU-E depende de autorização da fiscalização.

Parametrização

O sistema da Receita Federal aplica critérios de gestão de risco e direciona a declaração para um canal:

Canal O que acontece
Verde Desembaraço automático, sem análise de documentos nem conferência física
Laranja Análise dos documentos; se estiver tudo certo, a carga é liberada sem conferência física
Vermelho Análise dos documentos e conferência física da mercadoria antes da liberação

Nos canais laranja e vermelho, o exportador ou o despachante anexa à DU-E os documentos exigidos, como nota fiscal e conhecimento de embarque, e um auditor fiscal analisa o caso.

Desembaraço e embarque

Desembaraçada, a carga pode ser embarcada. Depois do embarque, as informações do transportador confirmam a saída da mercadoria do país, o que encerra a operação no sistema. Essa confirmação é importante para comprovar a exportação perante o fisco.

Documentos mais usados na exportação

Documento Para que serve
Fatura pró-forma Proposta comercial enviada antes do fechamento do negócio
Fatura comercial (commercial invoice) Documento da venda internacional, usado também pelo comprador na importação
Nota fiscal de exportação Documento fiscal brasileiro, base para a DU-E
DU-E Declaração aduaneira registrada no Portal Único Siscomex
Romaneio (packing list) Lista de volumes, pesos e conteúdo de cada embalagem
Conhecimento de embarque Comprova o contrato de transporte: BL no marítimo, AWB no aéreo, CRT no rodoviário internacional
Certificado de origem Necessário para o comprador ter redução de tarifas em acordos comerciais
LPCO Licenças, permissões e certificados exigidos para produtos específicos
Apólice ou certificado de seguro Quando o Incoterm ou o contrato exigir

Tributos, câmbio e logística

As exportações de mercadorias contam, em regra, com desoneração de tributos como IPI, ICMS, PIS e Cofins, para que o produto brasileiro chegue competitivo ao exterior. As condições variam conforme o produto e o regime da empresa, e o contador deve orientar o enquadramento correto na nota fiscal.

O pagamento em moeda estrangeira é convertido em reais por meio de contrato de câmbio com banco autorizado pelo Banco Central. Antecipar o recebimento, usar cobrança documentária ou carta de crédito são decisões que mudam o risco de calote e o custo financeiro.

Na logística, o Incoterm escolhido define até onde o exportador paga o frete e corre o risco. Uma venda FCA, por exemplo, termina com a entrega ao transportador do comprador. Uma venda CIF obriga o exportador a pagar frete marítimo e seguro até o porto de destino.

Erros comuns de quem exporta pela primeira vez

  • NCM errada: causa problemas na DU-E, no tratamento administrativo e na tributação.
  • Ignorar exigências do país de destino: rótulos, certificados sanitários e normas técnicas do comprador.
  • Prazo apertado: não considerar o tempo do despacho, do transporte até o porto e do corte de carga do navio.
  • Incoterm mal escolhido: assumir custos ou riscos que a empresa não consegue controlar.
  • Dados divergentes: pesos, quantidades e descrições diferentes entre nota fiscal, fatura e romaneio.

Perguntas frequentes

Empresa do Simples Nacional pode exportar?

Sim. Empresas optantes pelo Simples Nacional podem exportar e precisam da habilitação no Siscomex como as demais. O contador deve orientar como as receitas de exportação entram no cálculo do imposto.

Preciso contratar despachante aduaneiro?

Não é obrigatório. O próprio exportador pode registrar a DU-E com seus representantes cadastrados. Mesmo assim, muitas empresas contratam despachante pela experiência com o sistema e com as exigências de cada produto.

Quanto tempo leva o despacho de exportação?

Quando a declaração cai no canal verde, a liberação pode ser rápida. Nos canais laranja e vermelho, o prazo depende da análise dos documentos e da conferência física. O planejamento deve considerar também a operação no terminal e o horário de corte do navio.

Onde buscar ajuda para começar a exportar?

O portal do Siscomex reúne manuais e informações oficiais. O Sebrae e a ApexBrasil oferecem orientação para pequenas empresas, e associações do setor e despachantes aduaneiros ajudam no dia a dia das operações.

Conteúdo informativo. Regras e valores podem mudar; confira sempre a norma vigente no órgão responsável, como ANTT, Contran e Receita Federal.

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é editor do LG Translog. Analista de SEO e produção de conteúdo, cuida da pauta, da apuração em fontes oficiais e da atualização dos guias sobre transporte de cargas e logística.

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