Para fazer uma cotação de frete, você reúne os dados da carga (peso real, medidas, volumes, tipo de mercadoria e valor da nota fiscal), informa origem e destino com CEP, define prazo e modalidade de entrega e pede propostas a pelo menos três transportadoras. Depois compara o valor total, já com taxas e impostos, além de prazo, seguro e reputação. Parece simples, e é, desde que as informações estejam corretas. A maioria dos erros na cotação de frete vem justamente daí: medida informada errado, taxa que aparece só na fatura, prazo que ninguém confirmou.
A seguir você vê o processo completo, o cálculo do peso cubado, as taxas mais comuns e como comparar as propostas de forma justa.
O que entra no preço de um frete
Antes de pedir orçamento, ajuda entender como a transportadora monta o preço. Num frete fracionado (carga que divide o caminhão com outras), o valor costuma ter três partes:
- Frete-peso: calculado pelo maior valor entre o peso real e o peso cubado, de acordo com a tabela da rota.
- Frete-valor e taxas: percentuais sobre o valor da mercadoria (Ad Valorem, GRIS) e valores fixos (despacho, coleta, entrega difícil).
- Impostos e pedágio: ICMS no transporte interestadual ou ISS no municipal, conforme o caso, e pedágio proporcional.
Num frete dedicado (lotação, quando o caminhão inteiro vai para você), o cálculo gira em torno do veículo, da distância, do tempo parado e do retorno. No rodoviário, o valor também precisa respeitar o piso mínimo de frete definido pela ANTT, que é atualizado de tempos em tempos. A tabela vigente fica no site da agência.
Como fazer cotação de frete: passo a passo
1. Reúna os dados da carga
Sem informação precisa, nenhuma cotação se sustenta. Tenha em mãos:
- Peso real de cada volume, com a embalagem;
- Dimensões (comprimento, largura e altura) de cada volume, em centímetros;
- Quantidade de volumes e se estão paletizados;
- Natureza da mercadoria: frágil, perecível, perigosa, de alto valor, empilhável ou não;
- Valor da nota fiscal, que serve de base para seguro e taxas.
Produtos perigosos exigem informações a mais, como número ONU e classe de risco, e só podem ser levados por transportadoras habilitadas. Informe isso logo de cara.
2. Defina origem, destino e condições de acesso
Passe os CEPs completos, não apenas as cidades. Muitas transportadoras cobram mais por áreas fora do raio urbano ou de acesso restrito. Avise também se há:
- Restrição de horário ou de circulação de caminhões na região;
- Necessidade de agendamento no recebedor (comum em centros de distribuição e redes varejistas);
- Falta de doca, exigindo veículo menor, plataforma elevatória ou descarga manual;
- Entrega em condomínio, shopping, feira ou zona rural.
3. Escolha a modalidade de transporte
Decida, ou peça que a transportadora sugira, entre frete fracionado e lotação, e entre os modais disponíveis. Para cargas pequenas e prazo apertado, o aéreo pode compensar. Para grandes volumes em longas distâncias, a cabotagem ou o ferroviário podem sair mais em conta, embora com prazo maior e necessidade de transporte complementar nas pontas.
4. Defina quem paga o frete (CIF ou FOB)
Na modalidade CIF, o remetente paga o frete e responde pelo transporte até o destino. Na FOB, quem paga é o destinatário. Isso muda quem precisa cotar, quem contrata o seguro e quem arca com as taxas extras. Deixe claro na negociação com o cliente ou fornecedor antes de pedir os orçamentos.
5. Calcule o peso cubado
Esse é o passo que mais pega gente de surpresa. Uma carga leve e volumosa ocupa espaço no caminhão como se fosse pesada, e a transportadora cobra por isso. A seção seguinte mostra a conta.
6. Solicite propostas a várias transportadoras
Peça orçamento a pelo menos três empresas, enviando exatamente os mesmos dados para todas. Assim a comparação é justa. Hoje dá para cotar pelo site da transportadora, por telefone com o comercial, por plataformas que juntam vários fornecedores ou, para quem envia muito, pela integração do sistema de gestão com as tabelas negociadas.
7. Compare o custo total e feche por escrito
Compare o valor final, prazo, cobertura de seguro, condições de coleta e histórico de cada empresa. Escolhida a proposta, guarde-a por escrito, com validade, taxas incluídas e prazo informado. É o seu documento se a fatura vier diferente.
Cotação de frete em 7 etapas
1. Dados da carga
Peso, medidas, volumes, valor da NF
2. Origem e destino
CEPs e restrições de acesso
3. Modalidade
Fracionado, lotação ou outro modal
4. CIF ou FOB
Quem paga e quem responde
5. Peso cubado
Cobra-se o maior: real ou cubado
6. Três propostas
Mesmos dados para todas
7. Custo total
Compare e feche por escrito
Como calcular o peso cubado
O peso cubado converte o volume da carga em um peso equivalente. A transportadora compara esse número com o peso real e cobra pelo maior.
- Meça cada volume em metros: comprimento x largura x altura. O resultado é o volume em metros cúbicos (m³).
- Multiplique pelo número de volumes iguais.
- Multiplique o total pelo fator de cubagem da transportadora.
No rodoviário, muitas empresas usam 300 kg/m³ como fator, mas isso não é regra fixa: há transportadoras que trabalham com outros valores, conforme o tipo de operação. No aéreo, o padrão costuma ser bem menor, porque o espaço no porão é mais disputado. Pergunte sempre qual fator está sendo usado.
Exemplo: 10 caixas de 0,50 m x 0,40 m x 0,40 m, com 8 kg cada.
- Volume de cada caixa: 0,50 x 0,40 x 0,40 = 0,08 m³
- Volume total: 0,08 x 10 = 0,8 m³
- Peso cubado (fator 300): 0,8 x 300 = 240 kg
- Peso real: 8 x 10 = 80 kg
Nesse caso, o frete será calculado sobre 240 kg, três vezes o peso real. Daí a importância de revisar a embalagem: caixas sob medida e menos espaço vazio reduzem o peso cubado e, por consequência, o preço.

Taxas que aparecem na cotação de frete
Duas propostas com frete-peso parecido podem terminar com valores bem diferentes por causa das taxas. Conheça as mais comuns:
| Taxa | O que é | Como costuma ser cobrada |
|---|---|---|
| Ad Valorem (frete-valor) | Cobertura de responsabilidade da transportadora sobre a carga | Percentual sobre o valor da nota fiscal |
| GRIS | Gerenciamento de risco: rastreamento, escolta, monitoramento | Percentual sobre o valor da nota fiscal |
| Taxa de despacho ou CT-e | Custos administrativos de emissão de documentos | Valor fixo por envio |
| TDE (taxa de dificuldade de entrega) | Entrega em locais com espera, agendamento ou descarga complicada | Valor fixo ou percentual |
| TRT (taxa de restrição de trânsito) | Áreas com restrição de circulação de caminhões | Valor fixo ou percentual |
| Pedágio | Custo das praças na rota | Fração por peso ou por envio |
| Reentrega e armazenagem | Nova tentativa de entrega ou carga parada no terminal | Cobrada só se ocorrer |
Os percentuais e valores variam muito de uma empresa para outra e conforme a rota. Peça que todas as taxas venham discriminadas na proposta e pergunte quais podem surgir depois, como reentrega e estadia.
E os impostos?
No transporte intermunicipal e interestadual incide ICMS, com alíquota que depende dos estados de origem e destino. No transporte dentro do mesmo município, a regra é o ISS. Algumas cotações vêm com imposto embutido, outras não. Confirme sempre se o valor apresentado é final. Em caso de dúvida sobre crédito de ICMS ou enquadramento tributário, vale consultar o contador da empresa.
Como comparar propostas sem errar
O menor preço nem sempre é o melhor negócio. Uma carga avariada, um prazo estourado ou uma cobrança extra acabam com a economia rapidinho. Avalie cada proposta por estes critérios:
- Valor total: frete-peso mais todas as taxas e impostos.
- Prazo: em dias úteis ou corridos, contado da coleta ou da postagem.
- Cobertura na rota: se a transportadora atende o destino com estrutura própria ou repassa para parceiros, o que pode aumentar prazo e risco.
- Seguro: o que está coberto, até que valor e como é o processo de indenização.
- Coleta: se está incluída e com que antecedência precisa ser agendada.
- Rastreamento e atendimento: se dá para acompanhar o envio e falar com alguém quando der problema.
- Reputação: histórico com outros clientes, avaliações e tempo de mercado.
Uma planilha simples, com uma linha por transportadora e uma coluna por critério, resolve bem para quem cota com frequência.
Erros comuns ao cotar frete
- Informar medidas de cabeça: a transportadora mede no terminal e, se a medida for maior, recalcula o frete.
- Esquecer o palete: o palete tem peso e altura próprios, que entram no cálculo.
- Omitir a natureza da carga: mercadoria frágil, perigosa ou de alto valor não declarada pode gerar recusa, multa ou perda do seguro.
- Comparar apenas o frete-peso: as taxas podem inverter a ordem das propostas.
- Ignorar a validade da cotação: tabelas mudam com combustível, pedágio e demanda. Uma proposta antiga pode não valer mais.
- Não avisar sobre restrições no destino: a TDE ou a reentrega aparecem na fatura, não no orçamento.
- Fechar só por telefone: sem registro escrito, fica difícil contestar diferenças.
Dicas para conseguir um frete mais barato
- Otimize a embalagem: menos espaço vazio significa peso cubado menor.
- Consolide envios: juntar pedidos para o mesmo destino costuma baratear o custo por volume.
- Flexibilize o prazo: se não há urgência, modalidades mais lentas tendem a custar menos.
- Negocie tabela fixa: quem envia com regularidade consegue condições melhores com um contrato de volume.
- Aproveite o frete de retorno: em lotações, rotas em que o caminhão voltaria vazio podem ter preço mais atrativo.
- Leve a carga ao terminal: dispensar a coleta às vezes reduz o valor.

Cotação de frete para lotação: o que muda
Quando a carga ocupa um caminhão inteiro, a conversa é outra. Além de peso e volume, a transportadora ou o autônomo precisa saber:
- Tipo de veículo e carroceria (baú, sider, graneleiro, refrigerado, prancha);
- Datas e horários de carregamento e descarga;
- Tempo estimado de espera nas pontas, já que a estadia pode ser cobrada;
- Se a carga exige amarração, lona, escolta ou licença especial.
Nesse tipo de contratação, confira se o valor respeita o piso mínimo da ANTT para o tipo de carga e o número de eixos, e lembre que o vale-pedágio é obrigação de quem contrata o transporte rodoviário, separado do valor do frete. Contratar abaixo do piso ou deixar de antecipar o vale-pedágio pode gerar penalidades.
Perguntas frequentes
Quais informações são obrigatórias para pedir uma cotação de frete?
No mínimo: CEP de origem e destino, peso real, dimensões e quantidade de volumes, tipo de mercadoria e valor da nota fiscal. Quanto mais detalhes sobre acesso e prazo, mais certeiro o orçamento.
Por que o frete foi cobrado por um peso maior do que o da minha carga?
Provavelmente por causa do peso cubado. Se a carga é leve e volumosa, a transportadora cobra pelo espaço ocupado, convertido em peso pelo fator de cubagem.
Quanto tempo vale uma cotação de frete?
Depende da transportadora. Algumas propostas valem por poucos dias, outras por semanas. A validade deve estar escrita na proposta; se não estiver, pergunte antes de fechar.
O seguro da carga já está incluído no frete?
Nem sempre. O Ad Valorem cobre a responsabilidade da transportadora dentro de certas condições, mas não substitui um seguro completo da mercadoria. Confira o que está coberto e, para cargas de alto valor, consulte um corretor de seguros.
Vale a pena usar plataformas que cotam com várias transportadoras ao mesmo tempo?
Para quem envia com frequência, sim: economizam tempo e facilitam a comparação. Ainda assim, confira a reputação de cada transportadora sugerida e leia as condições de cada proposta.
Posso negociar o valor de uma cotação?
Pode e deve, principalmente se você tem volume regular, flexibilidade de prazo ou rota com boa ocupação. Propostas concorrentes por escrito ajudam na negociação.
Antes de fechar
Saber fazer uma cotação de frete é, no fundo, ter informações precisas e comparar as propostas de forma justa. Meça e pese a carga com cuidado, calcule o peso cubado, peça propostas discriminadas a várias transportadoras e escolha pelo custo total e pela confiabilidade, não só pelo preço que aparece primeiro. Feito isso de forma organizada, o frete deixa de ser uma surpresa na fatura e passa a ser um custo sob controle.
Conteúdo informativo. Regras e valores podem mudar; confira sempre a norma vigente no órgão responsável, como ANTT, Contran e Receita Federal.



